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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Os verdadeiros coelhinhos da Páscoa

Crianças africanas trabalham na produção de metade do chocolate consumido no mundo – e a vida de algumas delas vale, no máximo, uma dúzia dos ovos que você encontra no supermercadoPor Fellipe Abreu e Henrique G. Hedler  (Fellipe Abreu/Superinteressante)Crianças eufóricas se reúnem para a colheita que aguardaram por um ano. Acordam cedinho para mergulhar nos aromas e cores do cacau. Frutos coloridos e ovalados se oferecem pendurados ao deleite dos olhos e ao alcance dos adultos. Do que eles colhem, elas carregam o que podem, abrem sem cerimônia e se lambuzam até não aguentar mais. Essa Páscoa feliz, comemorada anualmente no supermercado mais próximo, tem um preço que não está embutido nos valores dos ovos que a simbolizam: o trabalho infantil em lavouras de cacau africanas. A reportagem da SUPER visitou fazendas na Costa do Marfim e em Gana – países que exportam 65% de todo o cacau consumido no mundo – para conhecer o plantio e acompanhar o trabalho de ONGs que combatem o trabalho escravo infantil – fruto muitas vezes de tráfico de pessoas – nas roças em que nasce o chocolate.Que trazem pra mim?Já passa das 19h e os últimos raios alaranjados de sol começam a sumir por trás da floresta. O clima, que poucas horas antes era insuportavelmente abafado, aos poucos vai ficando agradável, e uma brisa começa a soprar timidamente. A copa das árvores é alta e a estrada de terra vermelha rasga a selva.Pelas beiradas do caminho, trabalhadores caminham após mais um dia duro. Misturados aos adultos, crianças e adolescentes carregam facões que às vezes medem metade de suas alturas. Alguns deles, além do facão, carregam pesadas bacias na cabeça, carregadas de mamão, mandioca, couve ou água – tudo para consumo familiar. Quase todos estão descalços. A escola mais próxima fica a 10 km do vilarejo em que vivem. Trabalho? Só na agricultura mesmo. Além dos cultivos tradicionais de subsistência de cada família, um produto em especial é o grande empregador da região: o cacau. Facões afiados separam a polpa do cacau na região de Ashanti, centro de Gana. Nas plantações, é comum ver crianças manipulando esse tipo de ferramenta.Facões afiados separam a polpa do cacau na região de Ashanti, centro de Gana. Nas plantações, é comum ver crianças manipulando esse tipo de ferramenta. (Fellipe Abreu/Superinteressante)Estamos na fronteira entre a Costa do Marfim e Gana, na costa oeste da África. A Costa do Marfim é o maior produtor e exportador mundial de cacau, seguido da vizinha Gana. De todas as amêndoas de cacau que saem daqui, calcula-se que 90% sejam cultivadas por agricultores de subsistência, como os que acabamos de descrever.“Somos os maiores produtores de cacau, mas nós, os camponeses, sofremos muito. Somos os mais pobres do nosso país. O dinheiro que ganhamos com o trabalho não é suficiente, não dá para sustentar as famílias”, desabafa um trabalhador de fazenda de cacau em Gana que prefere não se identificar. A combinação entre pobreza, falta de escolas e recursos naturais valorizados internacionalmente resulta em uma aberração enfrentada por muitos países em desenvolvimento: o trabalho infantil.Que trabalho eles têm?Visto de dentro, um típico cultivo de cacau é tão vistoso e as sombras das árvores tão agradáveis que é fácil se distrair e acabar se perdendo. Seguindo os passos dos guias locais, aos poucos ouvem-se os ruídos das lâminas dos facões. Ao redor de uma pequena montanha de cacau maduro, quatro adultos quebram com destreza os frutos e depositam as amêndoas em uma bacia à parte. Ao redor dela, três meninos e uma menina, todos com menos de 10 anos, separam as amêndoas da polpa. Vira e mexe, uma ou outra criança pega o facão para terminar de cortar um fruto ou para brincar nos intervalos. Em outros cultivos, pré-adolescentes, já mais “responsáveis” na hierarquia de produção, manuseiam os facões o tempo todo, arriscando decepar partes do corpo junto com os frutos. Há quem defenda que a melhor maneira de quebrar o cacau maduro seja com um pedaço de pau, para evitar os acidentes com lâmina. Mas o costume local segue afiado.Esse trabalho arriscado e precoce já é tradição familiar. “As crianças precisam trabalhar desde cedo para ajudar a família”, explica um ativista local que pede para não ter seu nome citado. O trabalho de crianças em várias regiões da África – sobretudo em atividades agrícolas – é visto com naturalidade, assim como em algumas regiões do Brasil. De acordo com a cultura de muitas etnias da África subsaariana, aprender o ofício do pai e da mãe, assim como cooperar com as tarefas domésticas, faz parte do cotidiano das crianças. “Não podemos confundir trabalho infantil com o fato de alguns filhos ajudarem os pais nas tarefas em casa. Nesse caso, é importante também que os pais respeitem os horários escolares para que os filhos não percam as aulas nem sejam colocados em situações de risco, usando facões, por exemplo”, argumenta Willy Kyeremeh, agrônomo que trabalha no setor de cacau em Ashanti, uma das maiores regiões produtoras de Gana. Na folga entre uma colheita e outra, as crianças que ajudam a família no cultivo do cacau têm poucos momentos para se divertir.Na folga entre uma colheita e outra, as crianças que ajudam a família no cultivo do cacau têm poucos momentos para se divertir. (Fellipe Abreu/Superinteressante)O cenário, porém, é mais complexo. O trabalho infantil nas lavouras de cacau se divide em três tipos: o de auxílio na agricultura familiar, como continuidade do ofício dos pais; o trabalho fora de casa – com o consentimento dos pais – em troca de dinheiro para a família; e o trabalho clandestino, associado ao tráfico de pessoas. Em outras palavras, escravidão.No sul da Costa do Marfim, é comum a presença de pessoas com aparência diferente dos ganeses e marfinenses. Eles têm a pele mais escura, olhos amendoados e traços árabes típicos de países como Mali e Burkina Faso. Embora Gana e Costa do Marfim enfrentem sérios problemas sociais e econômicos, a situação é ainda pior em alguns países vizinhos. Mali, por exemplo, é o 17º país mais pobre da África. Burkina Faso não fica muito atrás nesse quesito. Não à toa, desses países vêm a maior parte das crianças e adolescentes traficados para lavouras de cacau.“Pela nossa experiência trabalhando aqui na região, existem relatos de que crianças traficadas são ‘alugadas’ por um valor que varia entre US$ 280 e US$ 380 por ano, e que muitas vezes são os próprios familiares que as entregam”, explica um funcionário da ONG Creer (sigla francesa para “Centro de Reinserção e de Educação para as Crianças de Rua”) que não quer ser identificado.A Interpol realizou duas operações de combate ao trabalho infantil na Costa do Marfim, em 2014 e 2015. Na primeira, 76 crianças entre 5 e 16 anos foram resgatadas do trabalho escravo. Na segunda, o número dobrou: 150 reouveram sua liberdade. Segundo um estudo desenvolvido pela Universidade Tulane (EUA), mais de 1 milhão de crianças e adolescentes trabalhavam em plantações de cacau na Costa do Marfim em 2014. O número de menores envolvidos nas lavouras cresceu 46% entre 2009 e 2014.“O governo local está trabalhando, tentando lidar com esse problema, mas os recursos são escassos e as empresas que lucram com o comércio de chocolate pouco se importam. Elas ganham milhões vendendo chocolate pelo mundo, mas não implementam uma medida sequer para amenizar o problema”, diz Chloe Grant, fundadora e presidente da Creer. Amparadas pela ONG Creer, três crianças foram retiradas do trabalho forçado em lavouras de cacau na Costa do Marfim.Amparadas pela ONG Creer, três crianças foram retiradas do trabalho forçado em lavouras de cacau na Costa do Marfim. (Fellipe Abreu/Superinteressante)Fora da gaiolaEm uma região tão pobre, com total ausência de serviços públicos decentes, a Creer trabalha para amenizar o sofrimento de algumas crianças. Criada em 2010, a ONG funciona em uma humilde casa em Abengourou – cidade marfinesa a 30 km da fronteira com Gana. Na casa, apenas uma funcionária cuida das três crianças abrigadas pela ONG no momento. Seus nomes serão mantidos em sigilo, porém pode-se dizer que todas elas sofreram maus-tratos ou eram obrigadas a trabalhar. O menino mais velho, de 8 anos, é sério e fica dentro da casa. Ele tem a perna direita enfaixada, resultado de uma queimadura que sofreu como punição. Por isso, fugiu para viver na rua, até ser encontrado e acolhido pela Creer. A menina, um pouco mais nova, é tímida, mal consegue falar e passa o tempo se balançando num pneu pendurado na árvore do quintal. O caçulinha do trio, de 5 anos, talvez seja novo demais para entender a situação. É o mais animado e corre para lá e para cá com seus carrinhos de brinquedo.“Trabalhamos muito para alertar os agricultores. Vamos para a floresta para educá-los, explicar como funcionam as leis. No entanto, existe uma demanda pelo trabalho das crianças nas fazendas, porque o preço do cacau está muito baixo. Por isso, acho pouco provável que a situação mude em um futuro próximo”, conclui Chloe. A mais velha, de 8 anos, usa uma atadura na perna direita para tratar a queimadura feita pelos fazendeiros que a escravizavam.A mais velha, de 8 anos, usa uma atadura na perna direita para tratar a queimadura feita pelos fazendeiros que a escravizavam. (Fellipe Abreu/Superinteressante)Resta como esperança alguns oásis de educação, capazes de modificar a condição das crianças de maneira imediata. Em um dos muitos vilarejos visitados pela reportagem da SUPER – um dos poucos com escola –, um professor alto, magro e simpático se aproxima para contar sobre sua experiência com os alunos. “Desde que a escola começou a funcionar aqui em Ashanti, conseguimos manter as crianças afastadas do trabalho. Todas as comunidades da região deveriam ter uma escola. Antes, sem educação, as crianças estavam fadadas a seguir os passos dos pais. Agora, com a escola, a maioria diz que não quer trabalhar com cacau. Eles querem estudar para ser professores, médicos, advogados. E mesmo os que ainda pretendem se envolver com o cultivo do cacau no futuro sabem que existem outras oportunidades nesse mercado”, explica Dominique Sasu, com brilho nos olhos cor de chocolate.PÁSCOA MANCHADAMesmo sendo grande produtor de cacau, o Brasil importa o fruto de GanaO Brasil produz 180 mil toneladas de cacau por ano, mas ainda não é autossuficiente – o que está previsto para ocorrer em 2024. Por isso, em 2017, o Brasil importou cerca de 50 mil toneladas de amêndoas de cacau para abastecer o mercado interno. Como desde 2012 está em vigor uma proibição sanitária à importação do produto da Costa do Marfim, todo cacau que importamos nos últimos anos vem de Gana – ou mais ou menos isso.O preço do cacau é fixado pelo Estado e os produtores só podem vender para a estatal Ghana Cocoa Board. Isso deveria garantir a qualidade e procedência do produto, certo? Não exatamente. Como o valor pago pelo cacau é maior em Gana, é comum que marfinenses levem seu produto para ser vendido aos vizinhos, ilegalmente. Assim, fica impossível rastrear a origem do cacau consumido no Brasil e muito menos garantir que ele não tenha passado por calejadas mãos infantis. Os vizinhos Costa do Marfim e Gana produzem 65% do cacau consumido no mundo – boa parte da produção, infelizmente, é feita com trabalho escravo de crianças traficadas de Mali e de Burkina Faso.Os vizinhos Costa do Marfim e Gana produzem 65% do cacau consumido no mundo – boa parte da produção, infelizmente, é feita com trabalho escravo de crianças traficadas de Mali e de Burkina Faso. (Marcus Penna/Superinteressante)

Chocolate Amargo

 A colheita do cacau na Costa do Marfim e em Gana, os maiores produtores mundiais da matéria e prima do chocolate, tem disso tudo. Crianças escravas enganadas por traficantes de pessoas, ou adolescentes que abandonaram a escola para ajudar a família na lavoura pesada, em contato intenso com agrotóxicos. Os fabricantes de chocolate têm sido cobrados por políticos e consumidores. E ganharam um prazo para diminuir o trabalho infantil lá no começo da feitura de seus doces. Mas a questão é mais complexa que apelar às boas intenções das multinacionais – porque envolve um ciclo de miséria enraizado profundamente no solo africano.
Diz a Organização Internacional do Trabalho: as "piores formas de trabalho infantil" são as que podem prejudicar a saúde e a segurança dos menores de 18 anos, as que envolvem trabalho escravo, ou as que são consequência do trá- em crianças trabalham em condições de escravidão no começo da cadeia produtiva do cacau.
Veja mais em:  Fonte: http://joom.ag/X32W/p28

A história do cacau e o trabalho escravo que abastece os mercados de chocolate no mundo Por Redação



Tem coisa no seu dia a dia que acaba passando batido por você, né? Por exemplo, hoje. Comprei um chocolate e fiquei pensando: será que o cacau dele veio do Brasil ou de outro lugar? Lembrei da época de vestibular e de quando estudei o “Ciclo do Cacau” na literatura do baiano Jorge Amado – a Bahia é o maior estado produtor do fruto no Brasil – e imaginei que provavelmente teria vindo de lá. Mas, lembrei também de algumas reportagens publicadas entre outubro e novembro que relacionavam o surto de ebola a uma crise do chocolate.
Você pode estar se perguntando: o que os dois assuntos têm a ver? Nem todo mundo sabe, mas um pouco mais de 70% da produção de cacau no mundo vem de 4 países da África: Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões. O surto de ebola atingiu alguns territórios que fazem fronteira com esses países, principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa. Ou seja,o avanço da doença poderia desencadear uma crise na produção de cacau e desabastecer os mercados que o importam, fazendo com que o preço do chocolate aumentasse.
Mais de 70% do cacau usado para produzir chocolates no mundo vem da África (foto: sxc.hu)
Mais de 70% do cacau usado para produzir chocolates no mundo vem da África (foto: sxc.hu)
No entanto, antes de pirar com uma possível escassez de chocolate, que tal refletir sobre o contexto histórico por trás dessa questão? Afinal, como o cacau foi parar na África, se ele é um fruto nativo da América? E, além disso, porque a região que abastece quase todo o mundo com chocolate continua sendo uma das mais pobres do mundo?
A exploração colonial feita pelos europeus tem tudo a ver com a resposta para essas perguntas. O cacau já era usado pelos astecas para fazer uma bebida considerada sagrada há mais de 2000 anos. Junto com a semente, era acrescentado mel e baunilha. A mistura recebeu o nome de tchocoatl e deixou o espanhol Hernán Cortez, recém-chegado ao México, muito interessado na receita. E não era para menos. O gosto peculiar da bebida não se parecia com nada antes provado pelo europeu. O cacau era muito importante para o Império Azteca, era usado como moeda e valia mais do que a prata e o ouro. Era considerado uma fruta enviada pelos deuses. Na viagem de volta à Espanha, o colonizador Cortez levou consigo algumas mudas de cacaueiro, que resolveu plantar pelo caminho. Primeiro no Caribe – no Haiti e em Trinidad – e, por último, na África.
Os espanhóis foram os primeiros europeus a terem contato com o fruto do cacauzeiro (foto: Getty Images)
Os espanhóis foram os primeiros europeus a terem contato com o fruto do cacauzeiro (foto: Getty Images)
Mas o chocolate como doce só se popularizou no século XIX, quando o suíço Henri Nestlé (1814-1890) descobriu um método para condensar o leite e deixar as barras de chocolate menos amargas e mais parecidas com o que temos hoje. Por isso, as plantações de cacau na África só começaram a se expandir nesse período e se intensificaram com o advento do neocolonialismo e da dominação dos territórios do continente pelos europeus. Mesmo depois da independência de grande parte das colônias a partir de 1960, grandes multinacionais do ramo dos chocolates continuaram a financiar as fazendas de cacau, que usavam (e continuam usando) trabalho escravo em suas plantações, incluindo a exploração de crianças.
Além das denúncias de trabalho escravo feitas nos últimos anos, uma reportagem publicada pela Aventuras na História mostrou que parte dos lucros pela venda do cacau poderia estar financiando o conflito interno entre o governo da Costa do Marfim, que tem controle sobre o sul, e os rebeldes, que comandam a guerrilha no norte. segundo um relatório feito pela ONG Global Witness.
Se você quiser saber mais sobre o assunto, confira os vídeos abaixo:
Em 2010, um jornalista dinamarquês investigou o trabalho escravo e produziu o documentário “O Lado Negro do Chocolate”. Ele foi até a a África com ajuda de lideranças locais e filmou com câmeras escondidas o tráfico de crianças para as plantações de cacau da Costa do Marfim.

Em 2014, foi a vez de uma TV holandesa produzir uma reportagem na Costa do Marfim sobre trabalhadores rurais que, apesar de produzirem diariamente toneladas de grãos de cacau, nunca tinham experimentado chocolate. O vídeo mostra as desigualdades sociais e a exploração da mão-de-obra africana para abastecer os mercados mundiais com esse doce.


 

 Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br

ESTRUTURA E RENDA DA CADEIA PRODUTIVA DO CACAU E CHOCOLATE NO BRASIL

Adriana Ferreira Silva, Arlei Luiz Fachinello, Margarete Boteon, Nicole Rennó Castro, Leandro Gilio


RESUMO


Desde os anos 90, verifica-se no Brasil o declínio da produção de cacau, em contraste com o crescimento consistente do processamento da amêndoa e da produção e crescimento do mercado de produtos finais como o chocolate no país. Este desequilíbrio evidencia a falta de coordenação entre os segmentos desta cadeia produtiva, o que tem gerado desafios aos agentes nela inseridos. Neste contexto, este presente estudo avalia as características da cadeia brasileira do cacau e chocolate, evidenciando suas dimensões e desafios diante da expansão do consumo de chocolate em paralelo às restrições na oferta do cacau. Foram estimados e avaliados renda e pessoal ocupado dos segmentos da cadeia. Entre os principais resultados, destacam-se: (i) em 2014 a cadeia gerou renda de R$ 13,4 bilhões, concentrada principalmente nos segmentos industrial e de serviços; (ii) a cadeia apresenta elevado efeito multiplicador de renda e empregos, movimentando elevado número de pequenas atividades produtivas e de serviços alimentícios, ainda que o segmento industrial apresente estrutura bastante concentrada; e, (iii)  a produção do cacau apresenta alta fragmentação da renda, sendo a atividade voltada basicamente para remunerar o trabalho envolvido, com baixo potencial de investimento. 

TEXTO COMPLETO:

REFERÊNCIAS


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